sábado, 14 de novembro de 2009

Baphometis é um
periódico destinado à divulgação
e discussão do Esoterismo,
mais especificamente naquilo
que tange o Sistema Thelêmico.
Mas esta aberto a qualquer
Corrente de Pensamento.
Se você leu Baphometis, nos
envie suas críticas e
observações. Elas nos serão
bastante úteis em todos os
sentidos. Mas só serão
levadas em consideração
mensagens que respeitem as
normas de educação e civilidade.
e-mail terralua@superig.com.br
EDITORIAL
Não é sem grande hesitação
que escrevemos este texto. Porém
subjacente á esta discussão existe
algo que, se verdadeiro, virá
inevitavelmente à luz do dia em
alguma época não determinada no
futuro; ou, talvez, este dia não se
encontre muito distante.
Há rumores, através os
séculos, da existência, no mundo,
de um Grande Segredo, apenas
conhecido por alguns escolhidos –
Iniciados: um vasto Corpo de
Conhecimento esperando para ser
desvelado.
Os gregos suspeitavam que
os Iniciados Egípcios possuíam
este Segredo. É dito que vários
estudiosos gregos, incluindo
Sólon, Sócrates, Platão, Euclydes
e Pitágoras obtiveram tal segredo
dos egípcios; e estes de outras
“civilizações mais antigas” ainda
não localizadas no tempo e no
espaço.
Sólon foi enviado ao Egipto
para encontrar ali uma solução
para os problemas sociais
Atenienses, já que uma guerra
civil naquela cidade-estado
parecia inevitável. Retornou com
uma doutrina política
revolucionando o Pensameto
grego.
Platão também foi ao
Egipto. Naquele país, os
sacerdotes de Amon lhe contaram
a história da Atlantida e lhe
ensinaram a Geometria. E ele
trouxe este conhecimento para
Atenas.
Pitágoras e Euclydes
ficaram famosos por suas
3
contribuições à Matemática.
Entretanto, ambos, assim é dito,
obtiveram seus conhecimentos na
Terra de Khen (Egipto).
Mais recentemente, os
Templários – assim diz a lenda –
descobriram um Grande Segredo
quando mantiveram as ruínas do
Templo de Salomão sob a guarda
deles. Eles usaram este Segredo
na organização de uma bem
sucedida Ordem Militar por
longos duzentos anos, como
jamais houve no mundo, e no
estabelecimento de um sistema
bancário, através do qual
acumularam imensas riquezas.
Mas a história desses personagens
nos traz um aviso para o qual não
podemos fechar os olhos:
No caso de Sócrates, o
Conhecimento obtido custou-lhe a
vida.
Newton, mais recentemente,
esteve perto da loucura, até que se
afastou dos escritos em seu poder
definitivamente.
Mas, nenhum deles experimentou
tamanho sofrimento e
perseguições como os Templários.
Por que? O que pode ser tão
desastroso a respeito deste
Conhecimento “secreto”?
Simplesmente pelo fato de estar
associado ao Oculto?
O Dilúvio, parece, também
estaria conectado com este corpo
de Conhecimentos, para não
mencionarmos o desastre da Torre
de Babel. Ninrod deparou-se com
este desastre quando, entre outras
coisas, tentou reviver um Corpo
de Conhecimentos que existia
antes do Dilúvio – assim nos
conta a lenda bíblica.
Por que mencionamos tudo
isto? Porque são murmurados, em
conexão ao acima, rumores a
respeito de algum sinistro e
desastroso Segredo que esteve
conosco por algum tempo, mas
que foi “perdido” ou velado por
algum “Poder” desconhecido
atualmente, mas que está sempre
atuante na vida dos seres humanos
no sentido de não nos deixar
evoluir e, assim, conhecermos o
nosso real lugar no contexto
Universal.
Para vários estudiosos
(entre ocultistas e pesquisadores
independentes) este tremendo
Segredo se relaciona com
“poderes alienígenas” e,
possivelmente, o governo de
muitas nações escondem
completamente estes e similares
tópicos. Nós não sabemos, ao
certo, se existe ou não esta
cobertura governamental (ou,
quem sabe?, religiosa), ou uma
4
conspiração mundial em torno
desses segredos. Mas os rumores
cada vez são mais fortes.
(Euclydes Lacerda de Almeida)
Corpo de Luz
O “Corpo de Luz” é assim
chamado porque era reconhecido
antigamente que o homem
ressuscitava não pelo seu corpo
físico, como acreditado pelos
cristãos, porém em um mais tênue
e etéreo veículo que se ergue das
trevas da morte, o abismo, como
as estrelas se erguem
resplandecentes no horizonte. O
corpo astral ou “fantasma” era o
mais antigo tipo de ressurreição
porque, de acordo com a doutrina
egípcia – quando a múmia
transformada no Amenti, obtinha
uma “alma” entre as estrelas do
firmamento o indivíduo erguia-se
outra vez no horizonte como a
constelação de Orion (a Estrela de
Horus) – o Sahu, ou Corpo
Glorificado, ressuscitado
eternamente nos Campos de
Sekhet Heru (Espaço ou
Eternidade).
Orion representa Horus erguido
(O Glorificado) há, pelo menos,
6000 anos, quando a estrela
(Corpo Astral) erguia-se das
trevas da morte no Ocidente, o
submundo do Amenti.
“O primeiro Herói Celestial
não era o Sol, mas o Conquistador
do Sol e do Calor Solar. Ele era
somente como Deus-Fogo, mas
um Deus sobre o Fogo: e na
estação quando o Sol encontravase
no Sígno de Leão e o calor
africano tornava-se insuportável,
então Set, como Estrela Cão (Set-
Na, ou Satan), ou Sut-Har – Set
Horus (Orion) se erguia.
Nas Eras passadas, a Constelação
de Orion era, originalmente,
nomeada como “Horus da
Ressurreição”.
Rápidas
Considerações
Sobre Thêlema
5
(Surgimento e
Desenvolvimento no
Brasil)
“É minha convicção que
Karl Germer teve tanta
Relação com a O.T.O.
Quanto Rudolf Steiner.
Nenhuma.
Há mais ou menos 6000 anos, o
ser humano dava um passo
definitivo para sua evolução:
criava uma maneira de registrar os
eventos do dia a dia e de
resguardar sua experiência e
conhecimentos para as gerações
futuras. O advento da escrita
possibilitou, a partir daí, o
desenvolvimento de novas
sociedades que corrigiam,
refinavam e acrescentavam novas
informações à herança deixada pó
seus ancestrais. A escrita foi o
marco fundamental para aquilo
conhecido hoje como História, e
era considerada uma magia trazida
pelos deuses. Portanto, é dito, na
Tradição Esotérica, que a
invenção da escrita deve-se ao
deus Thot, ou Hermes-Mercúrio
na Tradição Greco-romana.
Assim sendo, eu invoco a
complacência deste grande Deus
para que me inspire neste trabalho
sobre o início, desenvolvimento e
atual “status” do Sistema
Thelêmico no Brasil.
É difícil, senão impossível,
precisar o instante, se é que houve
algum, em que Thelêma, como um
sistema filosófico calcado na Real
Vontade do indivíduo e em sua
plena liberdade, começou a surgir
no pensamento humano como
uma possibilidade a ser atingida.
Poderíamos nos referir, dentro de
um passado bem próximo, a
Rebelais com sua máxima: “FAY
ÇE QUE VOUDRAIS” e, bem
anteriormente, a São Paulo com o
seu ‘AME E FAZE O QUE
QUIZERES”. Mas estes foram
esboços muito tênues do “FAZE
O QUE TU QUERES HÁ DE
SER TUDO DA LEI” dos dias de
hoje, surgindo como uma nova
expressão moral encontrada em
Liber AL.
“Faze o que tu queres” é
conhecida como a Lei de
Thêlema, e deriva-se da regra
fundamental da “Abadia de
Thêlema”, na clássica sátira
intitulada “Gargantua e
Pantagruel”, escrita pelo padre,
médico e estudante do oculto,
François de Revelais (1492).
Crowley considerava Rebelais
como um profeta e pioneiro de
Thêlema no mundo. Foi através
do trabalho de Rebelais que a
máxima tornou-se conhecida
como parte da Literatura
Ocidental; e foi adotada pelos
senhores da Sociedade inglesa
denominada “Hell-Fire”. Nos
escritos de Crowley, a Lei de
Thêlema é explicada em termos
da Verdadeira Vontade, o ultimal
6
centro ou quintessência de cada
ser humano.
Contudo, a nós parece, que
a idéia vem de tempos bem mais
recuados, muito embora não
tenhamos qualquer condição de
apreciar o quando e onde, a não
ser que aceitemos como
verdadeiras as teorias de Kenneth
Grant, colocando a Tradição como
surgida em antigas e
desaparecidas civilizações como,
por exemplo, Lemuria, Atlântida,
Duat, etc., e como sendo uma
“Tradição Estelar”. Tais teorias
são muito interessantes, atraentes,
etc.; mas estas “estórias”
(Lemuria, Atlãntida, e outras
mais) já foram por demais
exploradas por outros ocultistas
anteriores, a começar por
H.P.Blavatsky. Fica-nos,
entretanto, a dúvida se a definição
(“Estelar”) significa que a
Tradição tenha vindo até nós do
espaço sideral, trazida por
alienígenas, como nos descreve
Zacharia Sitchin em seus livros.
Mais uma vez a capacidade
espiritual do homem, como um ser
autônomo, é posta em dúvida.
Tudo que é admirável vem de
outras bandas, outros mundos...
Mas estas seriam fantasias,
conjecturas, aceitas somente por
poucos thelemitas. Elas
prevalecem no ramo da O.T.O.
chamado O.T.O. Typhoniana
liderada por Aossic Aiwsass
(K.G.), naturalmente. A nosso
entender, este senhor perdeu-se
em suposições extra-terrestres e
lovecraftianas. O Sr. Kenneth
Grant, após ter sido expulso da
O.T.O., liderada por Karl
Germer, em 1950, auto-intitulouse
O.H.O. (Cabeça Externa da
Ordem) e procedeu a dar
nascimento a uma organização por
ele denominada Typhoniana, em
completo descaso ás intenções de
Crowley para o destino da Ordem.
Para evitar quaisquer outras
insinuações e dúvidas é necessário
sublinhar aqui o fato de que este
senhor jamais foi membro da
A.`.A.`., muito embora alguns de
seus seguidores afirmem ao
contrário.
Também é uma afirmativa
de Kenneth Grant de que a sede da
Grande Ordem situa-se na estrela
Sirius. Comete-se, assim, um
grande e trágico erro1. A Silver
Star não é Sírius: a Estrêla de
Prata é o nosso próprio Self, a
“Estrêla” que todo homem e toda
mulher é.
O Sr. Kenneth Grant tem
desertado seu próprio Self, seu
Anjo Guardião, e ligou-se ao
Gênio do “Mal”. Na verdade ele,
tomando cada passo da Árvore da
Vida”, ao invés de “Cruzar o
Abismo”, onde se encontra Daath,
mergulhou diretamente, por esta
entrada nos Reinos Qliphoticos,
fazendo de Daath uma falsa
“coroa” e aceitando Choronzon (o
1 . Nota de E.: Há muito mais tempo os, assim
chamados, rosacruzes, também afirmam que é
em Sírius a sede da ordem rosa-cruz. Apenas é
necessários sabermos qual rosa-cruz é esta: a
AMORC, a F.R.A., a Áurea.... qual delas?
7
falso self – o ego) como seu
“deus”. Para o próprio bem
qualquer estudante de nossa
Ciência o seguinte aviso é
importante: acautelem-se de não
seguir estes passos, vendo-os
como um exemplo daquilo que se
deve evitar no Caminho Mágico.
Trabalhando com a “Árvore da
Morte” este magistas revelam-se a
si mesmos como necromantes da
pior espécie. Hitler e o seu
Nazismo é um exemplo deste fato.
Aquilo com o que estão ligados e
trabalham é, na verdade, matéria
morta, putrefata..., as cascas
vazias de incontáveis abortos. Por
estas e todas as evidências
encontradas em seus livros,
Kenneth Grant tem se provado um
não thelemita, um Irmão Negro,
que é pior que um simples magista
negro. Não se deve confundir
magista negro com Mago Negro.
Seria o mesmo que confundirmos
um simples ajudante de
enfermagem com um médico.
Para se tornar um Mago Negro
você teria que, pelo menos, atingir
o grau de Adeptus Maior. Alem
do mais o Senhor Kenneth Grant
tem-se mostrado preso a uma
fobia concernente à
homossexualidade do XI° O.T.O.,
o que evidencia muita coisa. Mais
um lembrete: não confunda-se
também Mago Negro com Irmão
da Esquerda ou com um Membro
da Fraternidade Negra. São coisas
totalmente diferentes.
Ñ
O Sistema Thelêmico, sem
sombra de dúvida, foi iniciado em
nosso país pelo desassombro,
intrepidez e devoção iniciáticas de
Marcelo Motta, fato que alguns
tentam negar por estarem
contaminados pelo despeito de
certa organização norte americana
desejando usurpar o mérito da
divulgação de Thêlema seja em
nosso país ou fora dele. A versão
de que Thêlema teria sido
divulgada no Brasil através da
FRA não resiste a uma simples
crítica. Mais à frente trataremos
do assunto com detalhes.
Marcelo Motta (1938-1987)
foi uma figura ímpar, homem
brilhante mas, as vezes,
profundamente exótico, cujas
exigências em assuntos iniciáticos
thelêmicos faziam dele um
iniciador temido. Hoje em dia,
alguns falsos líderes, tentam
imitá-lo, mas apenas conseguem
macaquea-lo.
Creio que uma das
providências mais urgentes que
temos que tomar, para manter a
pureza dos anais de Thêlema no
Brasil, é começarmos a filtrar as
falsas informações derivadas de
pretensos conhecedores do
assunto. Infelizmente existe,
circulando entre nós, uma
quantidade enorme de textos
avulsos e livretos insistindo em
despejar sobre nós uma cachoeira
de lixo.
Crowley, gastou toda sua
fortuna, e dedicou sua vida,
8
desenvolvendo a filosofia
Thelêmica, tal como revelada por
Aiwass em Liber AL vel Legis. O
resultado foi volumosa produção
de comentários, anotações,
trabalhos, tratados e livros
relacionados à Magick, ao
Misticismo, Yoga, Qabalah e
outros assuntos correlatos.
Todo este material
influenciou o Ocultismo do
Século XX. Existem estudos que
determinam que cada Capítulo de
Liber AL estaria associado, em
particular, com um Aeon da
Evolução Espiritual da
humanidade. Aqui, chamo à
atenção dos leitores que a frase
“Livro da Lei” deriva-se da
Maçonaria, como um alternativa
forma para a frase “Volume da
Sagrada Lei (V.S.L.). Claro que
em lojas cristãs este Livro será a
Bíblia aberta no Altar; numa loja
judia será a Torá, que significa “A
Lei”; e numa loja mixta haverá
mais de um livro no Altar. Em
lojas, templos, capítulos, e outros
corpos rituais thelêmicos, apenas
Liber AL vel Legis é usado no
“Altar”.
O coração do Sistema
Thelêmico é, claro, Liber AL vel
Legis, também conhecido como
Liber AL, e Liber CCXX. É um
livro razoavelmente pequeno, e
tem sido editado em forma de
panfleto. O livro foi “ditado” à
Crowley em 1904, durante sua
viagem nupcial ao Cairo. O autor
do Livro apresentou-se sob o
nome da Aiwass, uma entidade
praeter humana que, segundo
Crowley, era duplamente o
mensageiro da Divindade
governante do Novo Aeon e seu
próprio “Anjo Guardião”. O Livro
compõem-se de Três Capítulos,
um para cada membro das três
principais Divindades do Aeon:
Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Khuit.
Liber AL é uma direta transmissão
de novos deuses governantes do
Corrente Aeon, iniciado em 1904.
È dito que a cada publicação do
Livro sucede uma guerra; e que
quando o Livro for editado,
seguindo corretamente as
instruções contidas nele próprio,
ocorrerá uma guerra de
conseqüências jamais previstas,
pondo fim a civilização tal qual a
conhecemos.
D
“O crescimento dos dois
maiores monstros da sociedade,
Corporações e Burocracia, tem
esmagado quase a todos
dedicados partidários a
ideologia do individualismo e
independência”
Em linhas gerais não existe
muita diferença entre o
Esoterismo Tradicional
(Ortodoxo) e aquele chamado
Thelêmico, a não ser certamente
no tocante áquela ênfase colocada,
9
pelo último, sobre a Liberdade e a
execução da Real Vontade do
indivíduo no processo da
Consecução Espiritual. Seria
interessante lembrar aqui que,
segundo Thêlema, a Real Vontade
do indivíduo é a Vontade do
Universo – disto, o dístico no
Lâmen da O.T.O.: “Deus est
Homo”. E isto não está muito
longe das últimas concepções
científicas quando dizem: “ O
Homem é o ser verdadeiro, o Ôlho
que vê o mundo”. A concepção
thelêmica é Monista, em que Deus
é a própria criação. Em Liber II –
“A Mensagem de Mestre Therion”
– o tema é abordado de forma
clara.
Incontáveis textos tentam
explicar o que seja Thêlema,
Verdadeira Vontade, etc., mas não
conseguem chegar a ponto algum,
porque na verdade, o Caminho
deverá ser uma experiência de
vida e, por conseguinte, livros
escritos por “profanos” jamais
poderão dar uma resposta
plenamente satisfatória – “procure
o Reino de Deus e o resto lhe será
acrescentado”. Portanto, não cairei
aqui neste erro tão repetido: o erro
de tentar explicar intelectualmente
Thêlema, Vontade, etc. Visto sob
um ângulo muito cauteloso,
Thêlema poderia ser considerada
como uma filosofia de vida, na
qual inseriu-se conceitos místicos,
mágicos e religiosos, no sentido
lato da palavra religião, isto é,
“religare”. Há também em
Thêlema juízos sociais.
É sobejamente conhecido
que a figura de Crowley sempre
esteve associada a “Satanismo”,
“Luciferismo”, etc.; isto é: tudo
aquilo que foi incorporado
maliciosamente na Tradição Cristã
(Osiriana), que é uma terrível
herança do conceito patriarcal
judaico, adotado pela Teologia
Católica Romana. Além disso, as
práticas mágicas de Crowley,
obviamente ligadas ao Aeon de
Horus, não são compreendidas por
estes ainda presos ás superstições
crististas, profanos ou iniciados
nos ritos do Deus Sacrificado.
Para terror dos crististas, o mais
conhecido “moto mágico” é “TO
MEGA THERION” (A Grande
Besta), e que possui relações
íntimas com o número
apocalíptico 666. “Seria
interessante, em resposta a todo
este terror com relação ao número,
lermos sobre o significado do
número o que escreveu Peter
Lorie em seu livro “Revelation”
(pag. 160-6), e o que outros
apontam, mas em significado
inverso: “É possível que o
número 666 e os extraordinários
versículos do Apocalipse
relacionados com a Besta nada
tenham a ver com o Mal... Em
quase todas as religiões não
cristãs o número 6 não é
considerado maléfico. Pelo
contrário, na Árvore da Vida ele
está alocado em Tiphareth (O
Sol). Na Cabalá, a tradição
mística judaica secreta, o seis é
considerado a perfeição dos
número.” (A Estrela de David
10
tem seis pontas, relacionando-se
com os seis dias da criação e
com as seis letras do nome
judaico de Deus, as Seis Ordens
de Anjos, os seis corpos celestes,
e assim por diante.
Na Gematria hebraica, o
número 666 não tem qualquer
significado maléfico, querendo
antes dizer um Messias – um
indivíduo que tem uma mensagem
particularmente divina a
transmitir: “a palavra Apocalipse
significa, na realidade, uma
revelação profética, uma
revelação de verdade”..
Entretanto, acontece que a
palavra Revelação significa
“velar” (esconder) duas vezes. Isto
significa que o Apocalípse é uma
prefecia “velada duas vezes”.
Poderíamos, portanto, considerar a
possibilidade de o animal
apocalíptico com o número 666
pode ser humano, alguém que traz
uma revelação, um messias (que
poderia ser um “anti-cristo” na
medida em que não pregaria a
antiga Palavra do Deus
Sacrificado, mas uma Nova
Palavra – ver “O Encontro
Magick” – Fernando Pessoa e
Crowley.
A maior parte do material
thelêmico, existente na língua
portuguesa, foi traduzido, e com
interessantes anotações, por
Marcelo Motta. Isto em muito
facilitou, beneficiou e acelerou,
em nosso país, estudos e práticas,
tanto mágicas quanto místicas,
baseadas no sistema.
Dentro do processo
thelêmico aprende-se o quanto a
liberdade individual é preciosa
para o desenvolvimento humano,
tanto na área espiritual quanto na
social; então compreende-se que
Thêlema oferece esta liberdade
sem restrições ao homem, mais do
qualquer outra filosofia ou
religião já ofereceu. Thêlema
também determina, através seus
postulados, que as pessoas. Todas
elas, independente de raça,
religião ou cor política, têm o
sagrado direito de adotar a
filosofia de vida que quiserem
para si, sem que qualquer outra
pessoa ou coisa lhe imponha
limites como tem sido feito,
através dos séculos, por conta de
religiões, regimes políticos, etc.
Mas também compreende-se ser
um dever sagrado combater
quaisquer tendências contrariando
este direito, ou procurando
locupletar-se social ou
financeiramente usando Thêlema
como desculpa. Qualquer
thelemita mantêm bem claro seu
repúdio a esses que vêm agindo
assim durante anos, seja no Brasil
ou em qualquer outra parte do
mundo.
Não podemos fazer uma
avaliação do Movimento
Thelêmico, em todos seus níveis,
sem profundo estudo do mesmo
em todas dimensões possíveis.
Também, não se pode
esquecer de que o pensamento
thelêmico não é novo, e não se
restringe ás organizações
11
materiais que o representam no
mundo externo. Isto quer
significar que você pode ser um
thelemita sem pertencer, ou jurar
fidelidade a quaisquer das ordens
“oficialmente conhecidas” como
thelêmicas. Além disso, existem
organizações thelêmicas não
seguindo os “padrões”
apresentados por estas
organizações “oficiais”, mas sim
suas próprias e independentes
vias. Por exemplo: organizações
como a Fraternitas Saturni
(Gregor A, Gregorius – Grosche)
que aceita o aadvento da Corrente
Aeonica Thelêmica, não aceitam o
Sistema de Crowley e nem sua
autoridade espiritual. A
Fraternitas Saturni apresenta-se
como uma organização passando
por várias transformações durante
sua mais recente manifestação ( de
1927 até o presente). Esta
fraternidade tornou-se conhecida
através descrições fragmentadas
enfatizando os sensacionais
trabalhos mágico-sexuais em suas
lojas ou, também, seu obscuro e
satânico lado. Isto é
compreensível sob a luz do fato
que Saturni é (ou foi) a mais
ousada organização luciferiana no
moderno renascer do esoterismo
ocidental. Ultimamente, alguns
“thelemitas” bandearam-se para
aquele lado.
Outras organizações,
embora aceitando a Lei de
Thêlema, não reconhecem
Crowley como um líder as ser
seguido – consideram-no tão
somente como o casual
instrumento pelo qual a Lei foi
transmitida. Estes e outros,
voltam-se para a liderança de
Frater Achad (Charles Stansfeld
Jones), baseando-se do fato de ter
sido ele o descobridor das Chaves
de Liber AL. Outros tantos
consideram Crowley como um
grande magista, mas refutam
veementemente o texto do Livro
da Lei, principalmente o Terceiro
Capítulo. Existe uma boa
percentagem se voltando para
Jack Parsons (Frater Belarion), ou
para Marcelo Motta (Frater
Parzival). Muitos afirma que
Aiwass é uma invenção de
Crowley. Tal afirmativa tem sido
exposta pelo líder do Caliphado,
Hymenaeus Beta; e nós sabemos
que o problema que “aflige” este
“thelemita” prende-se ao
problema de direitos autorais. Os
membros da loja em Pasadena,
California, dos quais Crowley não
tinha qualquer conhecimento
pessoal, estavam espalhando
rumores e fofocas entre si
próprios, tal como, atualmente,
acontece entre os vários grupos
espalhados no território nacional
brasileiro. McMurtry era
meramente um desses, somente
que sendo um oficial do Exército
Norte Americano, estacionado na
Inglaterra, durante a Segunda
Guerra Mundial, teve a
oportunidade de estar, por
pequeno lapso de tempo,
pessoalmente com Crowley. – um
pequeno lapso de tempo que ele
soube explorar e exagerar,
12
posteriormente, em beneficio
próprio. Assim mesmo, ele
pareceu, ao velho e cansado
Crowley, mais substancial que os
outros, longe na América. De
qualquer forma, a autorização
dada a ele por Crowley era
somente temporária e meramente
significativa que McMurtry era o
menino de recado de Crowley
para dar fim às intrigas lha
chegando aos ouvidos vindas de
Loja na California. Crowley
jamais nomeou McMurtry O.H.O.
da O.T.O., e o título pelo qual o
chamou mais tarde – Caliph –
nada tem a ver com a O.T.O.. Foi
mais no sentido de lisonjear o ego
de McMurtry e mantê-lo dócil no
sentido de auxiliá-lo naquela
difícil situação. De qualquer
modo, Germer jamais aprovou as
cartas de autorização, porque
sabia da real situação de
McMurtry e da Loja na Califórnia.
Recentemente, surgiu uma
facção apoiando a teoria de Frater
Achad de que Aiwass é um
“demônio” inimigo da
humanidade.
Assim, neste particular
assunto, o que quer que possamos
dizer a respeito. Sofrerá, sempre,
contestações, restrições,
aprovações, negações e
limitações. Nos dias atuais, tornase
cada vez mais difícil
encontrarmos verdadeiros
thelemitas: e por conseguinte,
Thêlema em sua pureza original –
a não ser em grupos e
organizações ultra-veladas, ainda
não contaminadas pelas mazelas
causadas por falsos “adeptos
thelêmicos. Naturalmente, tais
organizações usam nomes bem
distantes de qualquer relação
direta com Thêlema.
Reconhecemos que o
Movimento Thêlemico encontrase,
atualmente, em processo de
amadurecimento, malgrado as
idiotices surgindo em seu Nome e,
por isto, apresenta muitos
desencontros além daqueles
criados pelos energúmenos citados
acima. Talvez, em vista disto, o
Movimento não sobreviverá como
um Sistema coeso, coerente, etc.,
repetindo-se mais uma vez o
processo histórico averiguado no
Sistema Cristão. Isto porque não
conseguimos ainda esclarecer os
obscuros fatos ocorridos num
passado recente, e que vem
nocivamente atuando no presente.
Precisamos fazer com que a
verdade, a respeito de Thêlema,
seja recuperada e dita
abertamente. Mas aí existe algo
mais profundo – talvez seja a
Vontade dos Mestres que tudo isto
aconteça, até que encontremos as
Chaves desse processo...
Ñ
O DESEJO DE HEGEMONIA
O sôfrego desejo de
hegemonia política e domínio
mágico procurado por alguns
13
grupos, auto denominados O.T.O.,
tem em muito prejudicado a
evolução do Sistema Thelêmico
no mundo, porque aquela Ordem é
a organização através da qual
Crowley se propôs divulgar
Thêlema na externa. Infelizmente,
estes grupos são compostos de
pessoas se injuriando mutuamente
em nome de ideais não
compreendidos, sem perceberem
que, em essência, falam a mesma
língua e procuram a mesma coisa.
Não desconheço, entretanto, a
existência de elementos infiltrados
nestas organizações determinados
a destruir Thêlema através da
discórdia.
Entre estas organizações
destacamos o Caliphado e a, assim
chamada, Loja Nuit, que se
erguem como obstáculos à
harmonia e à fraternidade entre
todos nós. Sei existirem profundas
diferenças entre tais grupos, mas
são diferenças que podem ser
superadas, bastando para isto
respeito mútuo e bom senso.
Infelizmente estas são
qualidades inexistentes em tais
grupos, e qualquer iniciativa
pessoal de qualquer de seus
membros, em direção a este
entendimento com outros grupos,
seria considerada traição aos
princípios da organização a que
ele pertence e punida com extrema
severidade. No grupo de Ribeirão
Preto (Loja Nuit), se é que ainda
existe, o mesmo aconteceria, até
com maior intensidade, pois
aquela Loja é liderada por um
profundo fanatismo, herança dos
piores momentos na carreira de
Marcelo Motta. Em razão disto,
bons thelemitas são perseguidos
como Frater Lancelot que teve a
iniciativa de colocar-se como um
elo entre duas destas
organizações. Assim comete-se
uma série de injustiças
prejudiciais ao próprio evoluir do
Sistema como uma força viva,
coesa, dinâmica e libertária. E
nenhum desses “thelemitas”
existentes por aí, sabedores destas
misérias, veio à público esclarecer
o que acontece. Preferem manter
tudo sob panos para evitarem
confrontos com seus líderes,
“mestres”, caliphas, reis, etc.
Em alguns desses núcleos
prega-se uma leitura limitada,
vigiada e baseada nas
idiossincrasias de seus tutores. E
ai de quem se afasta desse “curso
de leitura” para ampliar seus
conhecimentos – brutal repreensão
e/ou expulsão será sua
recompensa. Ora, todos nós
sabemos muito bem que qualquer
texto deveria ser lido, estudado e
analisado com a maior
neutralidade possível na busca
qualquer coisa útil que seu autor
nos possa transmitir. É salutar
conhecermos opiniões de outros
em vários assuntos. Mas, nas
inúmeras OTOs que conheço,
quem assim procede, seguindo sua
vontade de conhecer e a liberdade
claramente expressa em Liber OZ,
são repreendidos, atacados,
punidos, descriminados e
14
sumariamente afastados do
“rebanho” – e na maior parte das
vezes, claro, são considerados
“focos de pestilência”.
Assim acontecendo, os reais
interessados em Thêlema vão se
diluindo em outras denominações,
na maioria das vezes nada tendo a
ver com a Corrente Original, a não
ser algumas vagas insinuações
para parecerem que têm base
thelêmica – pura propaganda
enganosa para atrair incautos.
Em meio a este triste
cenário, o Caliphado tenta manter,
com mãos de ferro, o monopólio
das obras de Crowley. Para
assegurar esse açambarcamento
utiliza-se de espiões em todos os
cantos do mundo numa teia muito
bem elaborada. A principal missão
destes agentes sendo ameaçar
escritores livres, sinceramente
votados a dizerem a verdade sobre
o existente por detrás de todas
essas organizações espúrias.
Seguindo este plano, não
faz muito tempo, o autor deste
trabalho viu-se impedido de
publicar uma livro sobre Thêlema
no Brasil, somente porque
sublinhava verdades a respeito da
O.T.O. Norte Americana e de
algumas outras organizações, e da
atuação de seus líderes em nosso
país. Esta façanha, digna dos
tempos da inquisição romana
aliada a uma ditadura política, e
totalmente contrária aos preceitos
thelêmicos, foi realizada por um
ex-mestre do Caliphado no Brasil.
Hoje, este ex-mestre não somente
abandonou seus antigos vínculos
com o Caliphado, tornando-se
destacado membro da Fraternitas
Saturni.
A maioria das organizações
chamadas OTO, no Brasil, dá
guarida à péssimas traduções e
publicações realizadas a toque de
caixa sob a tutela de grupos de
pseudo thelemitas. Sem contar
com as horrorosas traduções feitas
pelo líder de uma dessas OTO,
cujo conhecimento da língua
inglesa é igual àquele que possui
de Thêlema, isto é: nenhum, pois
em seus desvarios de tradutor
confunde a palavra “mourning”
(tristeza, lamento, luto, etc.) com
“morning” (amanhecer, alvorada.
Manhã), e traduziu “The Signo f
the MOURNING Isis, como sendo
“O Sinal do amanhecer de Isis”.
Esse grosseiro erro, magicamente
falando, causa grande transtorno
em iniciantes da magia prática,
que transfere, sem o saber, o erro
para a Plano Astral, com sérias e
funestas conseqüências ao
praticante. O erro está registrado
na pag. 67 do livro “Rituais e
Aleister Crowley”. Sinceramente
não sei como um, assim chamado,
“destacado membro da O.T.O.”
possa ter cometido tal erro, além
de infantil, nocivo para os outros.
Não seria, talvez, necessário
afirmar que o resultado dessa
execrável atitude, perante
Thêlema, é o surgimento de
traduções feitas por indivíduos
sem a menor experiência iniciática
15
no Sistema (ou de outro qualquer),
o que, obviamente, os torna os
menos indicados para o trabalho
esotérico.
Talvez, por ter convivido 13
longos anos com os austeros
preceitos de Frater A., eu não
possa tolerar certas posturas em
relação à Thêlema em geral e à
O.T.O. e a A.´.A.´. em particular.
Resumindo:
Da Original O.T.O.
desenvolveram-se galhos
atrofiados, versões variadas de um
tema já deformado que passaram a
ensaiar, cada qual, a sua particular
versão. Disto resultou a dês-ordem
atual. Sempre houve na estrutura
desses arremedos algo que, mais
cedo ou mais tarde, produz uma
implosão, o que determina a total
quebra nos laços, desses
simulacros, com a Ordem, e o
irremediável fim deles nos planos
mais altos...
Ñ
Jamais permitiremos que
aconteça com os textos thelêmicos
o mesmo desastre acontecido com
as escrituras cristãs, Isto é, uma
drástica transformação ,
adaptações e deturpações no
sentido de agradar gregos e
troianos. Quando os registros
escritos do cristianismo
começaram a circular, os grupos
independentes costumavam a
completá-los com suas tradições
sobre o “salvador”, cada um
acreditando que suas versões
particulares fossem as
verdadeiras. O processo
intensificou-se após o Concílio de
Nicéia, quando o grupo vitorioso,
liderado pelo Imperador
Constantino (que não seguia
absolutamente o credo cristão,
mas sim suas ambições políticas)
começou a reescrever os
Evangelhos no sentido que estes
apoiassem a versão romana.
Em Thêlema, você tem
somente duas opções: ou você é
um thelemita, assumindo toda
carga que esta classificação nos
confere, ou não é. Em Thêlema
não existe “alto do muro”, e todo
aquele procurando, por um motivo
ou outro, permanecer “neutro”,
numa cômoda posição, agradando
a todos, nada tem a ver com
Thêlema: é um enganador ou um
enganado... no que isto pese
àqueles se dizendo
contemporizadores; adjetivo que
em nosso linguajar significa
“homem de duas caras”.
A Liberdade e a
Fraternidade deveriam ser os mais
fortes elos unindo todos os
thelemitas. Entretanto, é a
discórdia e ofensas recíprocas que
tornaram-se o denominador
comum entre eles. Se os grupos
mais abastados fossem capazes de
superar a intolerância, as barreiras
impedindo o desenvolvimento
salutar do Movimento seriam
derrubadas para o bem de todos.
Bastaria um pouco de equilíbrio
16
para acabamos com estes erros,
pois é certo que ninguém gosta de
permanecer no erro – a não ser os
desmiolados – embora esta não
seja um a regra geral, conheço
pessoas adorando estar em erro.
Thêlema jamais foi uma
religião, como alguns a querem
apresentar; e deveria ser evitado
todo e qualquer pensamento, ou
ação, dando-lhe esta conotação.
No momento, em que instalamos
uma crença religiosa, e a
organizamos, ela traz, em seu
âmago, a semente da hipocrisia,
do dogmatismo, da intolerância; o
cerceamento da liberdade de
expressão individual, da pesquisa
e um falseamento da verdade. As
pessoas afirmam acreditar na
religião, mas a maioria é
hipócrita: “ela só agem como se
acreditassem porque há benefícios
terrenos em fazer isto. Elas criam
para si mesmas uma ilusão porque
isso as deixa felizes. Neste terreno
e, principalmente entre
“thelemitas”, ninguém crê em
nada do que alega crer. Por isto o
terreno thelemico está tão cheio de
hipócritas, pois se falam como
thelemitas, agem ao contrário.
Esta tem sido uma constante
histórica, e Thêlema não pode
seguir esta regra sob pena de
desaparecer como um Sistema
altamente orgânico e aliado à
evolução universal. Não queremos
destruir a crença de ninguém.
Apenas procuramos a verdade, e
se para encontra-la tivermos que
derrubar ídolos, isto é problema
dos ídolos e dos idolatras.
Necessitamos encontrar a verdade
em toda sua nudez e pureza, e
para isto devemos, um após outro,
remover os véus com os quais a
cobriram vários tipos de
congregações sacerdotais ou de
homens comuns: os primeiros
procurando impressionar o povo e
adquirir mais poder para si
próprios e para, lógico, suas
religiões ou organizações
esotéricas, afastando-se, cada vez
mais, da verdade; os segundos,
por pura ignorância instilada pelos
primeiros.
Antes de morrer, Crowley
deixou várias advertências, sobre
o futuro de Thêlema, em cartas
dirigidas a Karl Germer.
Especificamente em uma delas,
alerta à seu futuro sucessor a
necessidade de serem realizadas
mudanças na estrutura e nos
rituais da O.T.O., para que aquela
Ordem pudessem fazer face aos
tempos modernos como uma
legítima guardiã da Corrente por
ele iniciada. A necessidade da
reforma era óbvia. Dificilmente
uma ordem, do caráter da O.T.O.
poderia permanecer estática sem
sofrer sérias conseqüências
minando-a. Sem tais mudanças a
O.T.O., emergente após décadas
de contanto com o Sistema
Osiriano, estaria preparada para
enfrentar seus futuros adversários.
Na antevisão de Crowley, sem isto
a O.T.O. entraria em colapso.
Uma previsão bastante exata. O
aviso não foi seguido, nem por
17
Germer, que em certo sentido
tentou destruir a Ordem, e nem pó
seus supostos sucessores.
Unicamente Kenneth Grant e
Marcelo Motta trabalharam no
sentido destas mudanças.
Infelizmente, a reforma executada
por Kenneth Grant causou
completa deformação na Ordem,
fazendo-a desviar-se de seus fitos
básicos. Marcelo Motta deixou
suas mudanças serem dominadas
por brutal intolerância. O
resultado dessas duas tentativas
resultou numa O.T.O. dividida e
acéfala; sem a menor chance de
cumprir sua missão, qual seja:
tornar-se o centro de divulgação e
expansão Thelêmica na externa.
Ñ
Talvez, mais do que outra
“onda”, as mudanças trazidas pela
tentativa de massificação do
esoterismo, seja a que mais
profundamente alterou
pensamentos, hábitos e costumes
de grande parte de pessoas neste
fim de século – a grande
influência desta mudança na
sociedade por ser exemplificada
através os filmes “Aquarius”, “O
Cristal Mágico”, “A Última
Tentação de Cristo”, e outros.
Entretanto, além de sabermos o
que o Esoterismo não pode se
massificado (ou socializado, como
pensam alguns) por razões óbvias
à todo sério estudante do oculto,
devemos observar, em ouro
contexto, que com essa tentativa
de massificação ele foi profanado
e, como todos sabem,
ridicularizado. Com esta
massificação, criou-se mais uma
discriminação, e esta divide as
pessoas em dois grupos distintos:
aquelas possuidoras de poder
financeiro para ter acesso à uma
literatura séria (porém cara), e os
que não possuem este poder de
compra e, portanto, destinados à
limitações em um literatura
superficial, enganosa, comercial,
“popularizada”, destinada á
grande venda, como a que vemos
crescer e poluir nossas livrarias
atualmente – nada que realmente
preste... Assim, desde já, estes
últimos se encontram excluídos de
qualquer mudança evolutiva
religiosa e social num futuro
próximo. Esta literatura
massificada encontra-se eivada de
conotações crististas. Porque estas
atraem o público desavisado.
Claro que esta evolução está em
andamento, mas, como dito, “
muitos são os chamados, mas
poucos os escolhidos” ou, como
dito em outro livro: “que meus
servidores sejam poucos e
secretos; eles regerão os muitos e
os conhecidos” (Liber AL vel
Legis, I, 10). A grande verdade é
que em se falando de Esoterismo,
e querendo massifica-lo, ainda
restará, como sempre, uma elite:
“quantidade jamais foi
qualidade!”
18
Nós nos arriscamos a
afirmar que o início desta onda
deu-se no Brasil, a partir da
década dos anos 60, quando o
Esoterismo, engatinhando através
algumas poucas e sérias
organizações, e a publicação de
pouquíssimos livros, em sua
maioria misturados com uma
literatura espiritista, conseguiu
erguer-se sobre seus pés. Desde
então, o pensamento Esotérico
começou a ser amplamente
divulgado (mas de uma maneira
errada, sensacionalista, comercial
e, acima de tudo, embebido
naquela adocicada e enjoativa
pieguice romano alexandrina. Tal
difusão deve-se à rádio-difusão, à
televisão, onde inúmeros artistas
aderiram à onda no sentido de
projetarem suas imagens aos olhos
do público, como difusores de
uma nova era. Desta maneira, toda
cidadão, preparado
espiritualmente ou não, começou a
receber “informações” antes
somente dadas a poucos iniciados,
com a mente preparada para
recebê-los. Micro computadores,
cada vez mais acessíveis à massa,
coroaram esta “divulgação”
caótica e sem rumo. Hoje
qualquer um pode acessar, com
um simples toque de dedo, os
mais variados assuntos do
ocultismo. Mas acontece que estas
informações carecem da “chaves”
indispensáveis à sua compreensão.
O povo pode, agora, penetrar, por
assim dizer, nas mais misteriosas
“sociedades secretas de
iniciação”. Eu riria ante tal
afirmativa se o problema não
fosse tão sério: toda esta
informação não serve para nada
(sob o prisma da verdadeira
iniciação), a não ser como uma
demonstração de imbecilidade e
exotismo. Hoje em dia, todo e
qualquer pateta pode passar como
sendo um iniciado, um mago, um
adepto, etc...
Para exemplificar o que
digo, um desses patetas tornou-s
membro da Academia de Letras,
alcançando aquela “imortalidade”
tão passageira como o brilho de
um foguete na noite de Ano Novo,
mas que massageia o ego
exaltado.
Claro que este tipo de
“divulgação esotérica” é um
absurdo e uma panacéia para os
velhacos. Um amontoado de lixo
jogado sobre os incautos. A cerca
desses “movimentos esotéricos”,
onde aparecem Reis do Mundo,
Guardiões Espirituais, Mestres
Acencionados, “ordens Rosa
Cruz”, proliferando em nosso
meio, consideradas como
“centros iniciáticos”, pode-se citar
um fato ocorrido há algum tempo
atrás: “ a revista francesa Poit de
Vue, N.140, de 20 de novembro
de 1947, descreveu um homem
que apareceu na França e se dizia
“Rei do Mundo”, além de ser o
“Maha Cohan Kout-Humi Lal
Singh e outros personagens mais.
Era um homem de mais ou menos
45 anos, tipo nitidamente europeu,
cabelos e bigodes negros e olhos
habitualmente autoritários (o tipo
19
que os imbecis adoram como
imagem de “deus”) Seu nome:
Cherenzi Lind... Desembarcando
em Paris, afirmou numa coletiva
que naquele mesmo ano faria um
grande milagre, coisa que não
ocorreu, naturalmente. Quis um
encontro com os maiores
cientistas de França para discutir
com eles temas tais como energia
nuclear,etc.: todos compareceram,
menos ele. Lind possui vastas
áreas de terra no Panamá e outros
países centro-americanos. Embora
dissesse sempre jejuar, tinha um
fraco por frango e ‘a la financiéree
e vinhos de Borgonha, além de
consumir grande quantidade de
charutos de ótimas marcas.
Passava noites com a famosa
Lydei Bastieu embora, dissesse
ser um homem casto.” Poderíamos
falar sobre outros charlatões que
se dizer ser gurus, guias, etc., mas
a Consciência Pública saberá
distinguir o joio do trigo. Afinal,
pelos frutos os conhecereis. Claro
está que o fito desses velhacos é o
faturamento alto, vindo de onde
for.... da venda de livros,
periódicos, folhetos, e
“palestras”... atrás disto vamos
encontrar aquelas “ordens” e “
fraternidades” que nada têm a
oferecer a não ser uma “patente”
assinada para você mostrar
orgulhosamente aos seus amigos
(e inimigos). E tome “fraternidade
do raio violeta”. Do azul, e de
todo espectro... ordens
“cabalistas” , ledores de Tarot,
etc. A situação atingiu, em pouco
tempo, as raias do absurdo, em
que uma enorme quantidade de
“magos”, “gurus”, “ordens
secretas” (como pode ser secreta
se é conhecida publicamente?),
etc., começaram a surgir nos
meios de comunicação,
anunciando seus poderes, suas
virtudes, suas legitimidades, suas
ancestrais origens (de preferência
atlantas e egípcias), e uma
imensidão de outras idiotices.
Conhecemos, pessoalmente, dois
desses místicos (um trabalhando
com cristais, o outro lendo tarot)
que se tornaram ricos com suas
atrapalhadas; um deles mudou-se
para a Espanha; ou outro foi
passear pelo mundo... tudo as
custas dos trouxas que lhe deram
dinheiro (uma das energias do
Plano dos Discos), para ouvir
baboseiras agradáveis a seus egos.
É exatamente desta época o
surgimento daquele “mago de
televisão”, ao qual me refiro em
um outro trabalho.
Porém, não fica só nisto. O
desatino vai mais longe.
Religiões, mesmo entre as mais
ortodoxas, viram-se envolvidas no
contexto, e o número de inovações
espúrias e falsas igrejas, lideradas
por vigaristas, “bispos” e
“pastores”, sem quaisquer
princípios éticos e, principalmente
espirituais, brotaram como ervas
daninhas neste fértil terreno. A
própria respeitável Maçonaria,
antes intocável, abriga vários
destes nocivos agentes da
vigarice. Vemos que há pouco
tempo, a maçonaria dividiu-se em
20
vários “Orientes”, e o nível
“maçônico” de seus membros
decaiu inexoravelmente tornandose
uma assunto de risos por toda
parte.
Tudo que tem início,
seguramente terá um fim. A
“Onda Esotérica” está aos poucos
se diluindo. Superado o “oba!
oba! dos festivos e dos
superficiais, percebe-se de que
tudo que as pessoas têm acesso
fácil neste carnaval esotérico, não
passa de ilusão – o restolho que
reais iniciados permitem seja
exibido à profanos e profanadores.
A agitação esotérica amainou.
Pouquíssimos foram aqueles
ligados às reais fontes. Porem, a
inércia desse movimento ainda faz
com que o cadáver estremeça
como se vivo estivesse, e nós
ainda temos muito tempo pela
frente para suportar o fedor
emanado dele.
A “revolução ocultista” dos
anos 60, afetou seriamente a todos
– tradicionais e liberais – e o mais
importante, alterou os métodos de
transmissão do “Conhecimento
Oculto”. Como jamais esteve em
tempo algum, ele, se encontra
mais velado, mais
incompreendido por profanos. As
próprias fantasias e idiotices
divulgadas como se fossem
Esoterismo, automaticamente
criaram estas veladuras, estas
salvaguardas.
Outro grande desastre foi
que as Ordens Thelêmicas,
operando na externa, envolveramse
nesta desordem –
principalmente a O.T.O. A
estrutura da ordem alterou-se de
maneiras evidente, mas não no
bom sentido, ou naquele desejado
por Crowley. A ordem tornou-se
um simples club, onde os
diletantes de um ocultismo
medíocre podem agora reunir-se
para jogar conversa fora. Seus
elos com a Grande Ordem (aqui
me refiro à Real O.T.O.), e ela
perdeu contato com a Palavra do
Aeon, e as Sucessão Apostólica
tornou-se uma pilheria; de mau
gosto, diga-se de passagem. No
final deste século várias
organizações se apresentam como
sendo a O.T.O., algumas delas até
usam a sigla acrescida de outras
letras. Imbecís: não sabeis que isto
altera profundamente o valor
cabalístico da verdadeira sigla e,
portanto, as vibrações contidas
nela? Senão vejamos: o valor
numérico da Sigla O.T.O. é,
quando valores reais são dados à
estas letras, 666. Mas que dizer
do valor numérico de S.O.T.O.,
C.O.T.O. , O.T.O.A., O.T.O.M.,
etc?
É bastante exaustivo tentar
apresentar as origens e a história e
os perfis dos protagonistas do
movimento Thelêmico no Brasil,
principalmente quando tomamos a
O.T.O. como ponto de referência.
Existe aí uma complexidade além
de nossa capacidade discursiva
profana (não poderíamos nos
expressar de outra maneira, claro)
21
mais ainda dificultada porque
inclui certos detalhes iniciáticos
longe de serem compreendidos
pelo profano. Na verdade, não
existem segredos. “Os
verdadeiros segredos são
segredos pela simples razão que
não podem ser compreendidos
pelos profanos”. Isto é evidente à
todos aqueles que procuram,
honestamente, estudar a Ciência
Esotérica.
Ñ
Ninguém desconhece a
existência de pessoas afirmando
categoricamente, mas de maneira
equivocada, (pois os fatos não
confirmam a versão), que a
O.T.O. surgiu no Brasil quando,
em 1995, chegou ao nosso país
uma delegação, proveniente do
“Caliphado”, para “iniciar” alguns
indivíduos, que se renderam ao
glamour daquela entidade, aos
Três Primeiros Graus da
organização californiana.
Evidentemente isto não
corresponde à verdade, da mesma
forma que não é verdadeira aquela
outra versão de ter sido a FRA a
precursora de Thêlema no Brasil.
Esta “estória” foi divulgada
publicamente através texto de um
certo Fra. S., ex-discipulo de Fra.
T. na A.´.A.´. e de Fr. A. na
O.T.O. Ester Fra. S., durante todo
tempo em que esteve sob
instrução de Fra. T., jamais
apresentou a seu instrutor, uma
simples linha, sequer, de um
diário mágico. Este “discípulo”
falhou em todas as provas a ele
requeridas pelo currículo do
Probacionista.
As “iniciações” aqui
realizadas pela delegação do
Caliphado deixaram muito a
desejar ou, em outras palavras:
não tiveram eficácia alguma.
Verdadeira decepção para alguns
dos “iniciados” mais bem
informados. As “iniciações”
foram realizadas baseadas em
rituais já publicados por Francis
King (“The Secrets Rituals Of the
O.T.O.” – Samuel Weiser – N.Y.
– 1973), portanto inteiramente
sem valor sob o ponto de vista
mágico. Além do mais, tais rituais
estão carregados de características
maçônico-osirianas, que é
suficiente motivo para serem
completamente abandonadas, por
thelemitas, como peça de museu.
Thêlema teve seu primeiro
aparecimento público no Brasil há
exatamente 37 anos atrás, quando
Marcelo Ramos Motta publicou o
livro “Chamando Os Filhos do
Sol”. Posteriormente,
desenvolvido e grandemente
divulgada por Fra. A., Soro S.,
Fra. L., Fra. B., Fra. Sh., e outros
corajosos homens e mulheres
ligados ao movimento. Não
podemos deixar de citar aqui a
presença de Raul Seixas,
trabalhando thêlema mediante seu
gênio musical.
A O.T.O. é o instrumento
da A.´.A.´., através da qual a Lei
22
pode e deve ser divulgada,
progressivamente, como o
crescimento da vegetação sobre a
Terra. A O.T.O. é o visível corpo
da Lei como a A.´.A.´. é o
invisível; e se propriamente
utilizada, pode, sem qualquer
distúrbio, libertar o mundo. Os
fundamentos desta afirmativa têm
sido ventilados, aqui e ali, por
vários autores sob forma de cartas,
monografias e livros, cada qual
destacando uma face da questão.
E entre estes devemos citar o
nome de um grande batalhador
conhecido como Toninho Buda,
cujo escopo maior de sua vida tem
sido esclarecer e divulgar
Thelema e a figura de Raul
Seixas.
Para possuir uma idéia de
tudo que falamos, basta que o
estudante examine a vasta
documentação existente. Mas ele
deve, guiado por seu bom senso,
separar as falsas informações
daquelas autênticas e realmente
fundamentadas. Para chegar a um
bom termo e formular sua própria
opinião, que ele mergulhe no
passado recente, precisamente a
partir de 1961, e que nunca se
esqueça de que “pelos frutos os
conhecereis”. Isto quer dizer o
seguinte: a arvore sã só póde dar
frutos saudáveis... E ainda mais,
nunca se esqueça que a
Verdadeira Ordem não tenta
converter, não discute e não fala
demais.
Até 1961, o Sistema
Thelêmico, Aleister Crowley,
O.T.O., Ordem de Thêlema,
A.´.A.´., Liber AL, Liber OZ, etc.,
não faziam parte do currículo do
esoterismo brasileiro. Somente
raríssimos estudiosos, com
conhecimento de movimentos
esotéricos além mar, e acesso a
livros editados fora do Brasil, e
uma ou duas organizações
místicas, tinham alguma idéia (e
mesmo assim talvez
superficialmente) do que estes
nomes representavam no contexto
do ocultismo. Entretanto, um certo
número dessas mesmas pessoas e
organizações, escondiam
cuidadosamente tal conhecimento
do público em geral. As
organizações mantinham a mesma
desinformação em relação à seus
membros (os mais novos e,
evidentemente, de graus mais
baixos), devido ao receio que
tinham (e ainda têm) da má
reputação com a qual Aleister
Crowley foi estigmatizado durante
toda sua vida por seus inimigos
(que eram muitos e fortes) e
mesmo de alguns de seus
“amigos” e parceiros, tais como
Israel Regardie (falecido) que foi,
durante algum tempo, secretário
particular de Crowley, se bem que
tal reputação de Crowley sendo o
resultado de uma grande
campanha fomentada e financiada
por seus inimigos aliados à
Grande Feitiçaria. Foram sórdidas
mentiras contra ele pessoalmente
e às ordens por ele lideradas na
época. Entendam os leitores o
“raciocínio” dessas pessoas: não
ficaria muito bem para o “status”
23
delas serem conhecidas como
ligadas à Thêlema e á Aleister
Crowley. No dizer da Igreja de
Roma e de outras correntes
osirianas, ele era um satanista da
pior espécie, no que pese o fato de
que a maioria dessas pessoas não
têm a menor idéia do que é ser um
satanista na real acepção do termo
fora da teologia cristista. Eles até
se esquecem que um Bispo, líder
cristã na época inicial do
Cristianismo, chamava-se
“Lucifer”.
A, confusão, a
indeterminação histórica, as lutas
políticas internas e externas entre
facções rivais, são mazelas
invariavelmente acompanhando,
como uma sombra, as diversas
ordens de perfil maçônico no
mundo. A O.T.O., como uma
organização maçônica que é, não
fugiu a esta regra infelizmente;
muito embora tenha adotado, se
assim podermos dizer, a doutrina
thelêmica em certa fase de sua
trajetória. Mas não foram todos os
ramos da ordem a assumir tal
postura. De qualquer forma, com
invariável constância vemos
pessoas se alarmarem com o fato,
e de como pode ser isto acontecer.
Constitui uma incógnita (para não
iniciados, certamente) como pode
isto acontecer em organizações
supostamente criadas e mantidas
por Adeptos, isto é, por homens e
mulheres, supostamente
possuidores de certos elevados
níveis de consciência espiritual
muito acima do vulgar; e que,
obviamente, deveriam estar
vacinados contra as fraquezas dos
seres humanos comuns. Não se
pode dizer que tais questões sejam
inteiramente injustificadas. Temos
constatado invariavelmente coisas
altamente chocantes acontecerem
nestas organizações iniciáticas e
com iniciados. O problema é
observado com tanta freqüência
que a nós parece fazer parte do
currículo dessas organizações –
não somente das mais antigas,
também das mais recentes. Disto
poderíamos elaborar três teorias:
ou estas ordens são falsas, e
jamais tiveram qualquer valor
espiritual iniciático, ou aqueles
que a compõem e dirigem não
estão suficientemente preparados
para fazê-lo e não são iniciados
coisa alguma; ou uma última
hipótese, existe algum fator, muito
velado, aí inserido, trabalhando no
sentido de destruir ou TESTAR
estas instituições, mediante a
implantação de discórdias,
divisões e lutas internas. Visto sob
este ângulo, a última hipótese
seria (particularmente para nós) a
mais exata, embora não
descartemos inteiramente as
outras. Por que os “Mestres”
quereriam que tais coisas
aconteçam? Se é que eles
permitem.... Não é fácil
responder estas questões, sem
considerarmos outra hipótese,
qual seja: serem estes “mestres”
uma grande ilusão. Porém, a
melhor resposta seja que eles não
possam interferir diretamente em
nossas ações, mesmo que sejam
24
desastrosas: pessoas e grupos
necessitam exercer o livre arbítrio,
dentro de certos limites,
evidentemente. E estes limites são
tão elásticos que parecem ser
infinitos. Admito haver alguma
ambigüidade quanto aos seres
humanos terem ou não livre
arbítrio, pois ter livre arbítrio é
você poder fazer qualquer coisa
que queira, mesmo destruir-se.
Mas aqui ergue-se outra
questão: “Se Deus é onipotente,
onipresente, não saberia ele,
então, todas as nossas escolhas de
antemão? Se então isto é
verdadeiro, Deus sabe o futuro
que nos reserva. Assim sendo
todas as nossas escolhas estão
feitas, e o livre arbítrio deve ser
uma ilusão.
Evidentemente, existem
muitas variáveis para a explicação
do fenômeno. É importante que os
leitores compreendam que as
ordens são formadas e
administradas por indivíduos
humanos, em uma significante
diversidade de opiniões sobre
vários temas. Mesmo entre os
líderes o mesmo acontece, muito
embora fosse de se presumir que,
pelo menos na filosofia básica
houvesse uma concordância.
Infelizmente esta não é a regra
observada, o que para muitos
torna-se um paradoxo
inexplicável. Como pode
acontecer que pessoas ligadas a
uma mesma organização, criada
para cumprir uma determinada
linha filosófica, tenham opiniões
tão distantes umas das outras? No
específico caso da O.T.O., poderse-
ia afirmar que a ordem foi
criada ainda no contexto das
vibrações do Antigo Aeon, e
ligada a homens profundamente
influenciados pelas vibrações da
época. Mesmo Crowley, nasceu e
viveu inserido neste ambiente.
Note-se que ele mesmo confessa
ter, inicialmente, repulsa pelo
Livro da Lei, especificamente pelo
Terceiro Capítulo, e que “perdera”
os manuscritos originais do Livro
durante um longo período de
tempo. E nós sabemos como
“esquecimentos” são explicados
pela psicologia moderna...
Não é fácil discorrer sobre
um assunto tão complexo como
este sem entrarmos em algumas
contradições. A história, o
desenvolvimento e a condição
atual da O.T.O. torna-se um tema
extremamente intricado e confuso.
Confusão vinda de longas datas,
alastrando-se no tempo sem
controle. Particularmente no
Brasil, a todo este emaranhado
somou-se eventos importantes,
transcorridos nos anos, e até hoje
não devidamente explicados e, por
tal razão, usados e divulgados de
maneira incorreta, inescrupulosa
por indivíduos que não tiveram a
menor participação direta e
pessoal neles, mas que se
aproveitam deles para
evidenciarem suas pobres figuras,
as quais estariam delegadas ao
anonimato sem o uso do artifício.
25
No decorrer do tempo com
surgimento de inúmeros grupos
arvorando-se, cada qual, como
único e verdadeiro centro
thelêmico, aumentou ainda mais
esta teia desordenada, onde
surgem novas intrigas políticas,
subornos, compra de patentes,
influências financeiras e as mais
inconcebíveis acusações e
ameaças entre “irmãos”.
Em suma:
Até hoje ninguém pode,
com a devida convicção, dizer o
que realmente ocorreu e está
ocorrendo no seio da O.T.O. (hoje
existem várias O.T.O.) e de outras
ordens, ditas thelêmicas no Brasil
e no exterior, a não ser que se
tenha envolvido direta e
pessoalmente na evolução de
todas as ocorrências desde 1962,
quando Marcelo Ramos Motta,
publicando “Chamando Os Filhos
do Sol” lançou a pedra
fundamental do Movimento
Thelêmico no Brasil

2 comentários:

Claudius Hermann disse...

Prezado Frater Thor,
93!
Sinto-me feliz por mandar-lhe um olá de agradecimento sincero por abrir diversas porteiras de conhecimento e de luz facilitando em muito a absorção da Lei e desintegrando estigmas e teias de outrora. Sinto-me um tolo, porém, ao dizer-lhe coisas que lhe são sentidas e não somente comentadas, não um tolo como o Santo Arcano.
Prezado F. Thor, sou grato e com alegria posso sentir ainda néscio a força da grande obra tomar forma em meu âmago.
Marcelo
93,93/93

Salgueiro disse...

Não tenho feito qualquer comentário, no entanto leio o blog á diverso tempo.

Tem estado parado, espero que continue a escrever para que possa continuar a acompanhar a leitura deste blog.

Se tiver outro e tenha descontinuado este, indique para o meu email: msalgueiro@gmail.com

fico a aguardar.
Cumprimentos de Portugal.